
A corrida se tornou uma grande estratégia para quem busca condicionamento físico aliado a perca e manutenção do peso. Hoje inúmeras provas são distribuídas pelo ano e muita gente encontra na corrida uma forma de praticar atividade física com prazer. O desafio de cumprir provas em menos tempo ou de maiores distâncias se torna um hábito para quem pratica a corrida, assim muitas assessorias esportivas surgiram afim de, através de profissionais capacitados, sistematizar os melhores treinamentos para cada indivíduo, possibilitando a pratica segura e a garantia da melhora física mais eficiente dos atletas. Atletas que na maioria dos casos são amadores e nunca passaram por um treinamento de alto rendimento e passam a buscar esse rendimento mesmo sem poder promover as adaptações suficientes para que seu corpo suporte tamanho stress da corrida. A partir daí surge as lesões geradas por excesso de carga.
A grande dificuldade que os treinadores de corridas enfrentam é convencer aquela pessoa mais ansiosa e motivada sobre seus limites. O treinador busca estratégias para prevenir ao máximo o atleta a futuras lesões e garantir que os limites de cada um seja respeitado. O fortalecimento muscular, o alongamento e o treinamento específico são os principais focos numa periodização. Os treinos específicos visam trabalhar dentro da especificidade do esporte ou da prova que o atleta pretende cumprir, o treinador passa a controlar a carga de acordo com o condicionamento do aluno para que ele consiga terminar a prova e ainda vencer o tempo das provas anteriores. Dentro do micro ciclo são administrados treinamentos de fortalecimento específico também dentro da sala de musculação a fim de dar uma base ao atleta de força e assim é feito também com a flexibilidade.
Entendendo mais ou menos como funciona o treinamento de um atleta de corrida podemos relacionar com algumas coisas da nossa vivência com o pilates. Quando pensamos na especificidade desse esporte acabamos nos preocupando com o gesto motor e as características metabólicas da corrida por si só, logo se desenvolve de forma especifica o corpo do atleta pensando em gerar maior performance para esse esporte A repetição de determinados tipos de atividade com posições e movimentos habituais e o período e a sobrecarga de treinamento (over training/over use) provocam um processo de adaptação orgânica que resulta em efeitos deletérios para a postura, Com alto potencial de desequilíbrio muscular. (RAGONESE G. citado por JUNIOR N J, PASTRE M C e MONTEIRO L H, 2004). Esse desequilíbrio então torna cada vez mais evidente a chance do atleta adquirir alguma lesão pelo treinamento se nada for feito para equilibras todas as estruturas.
Pilates criticou o treinamento desportivo de sua época, denominando – o de ortodoxo, artificial e violador das leis da natureza. Buscou a retomada do lado humano por meio de um trabalho bioenergético, reconhecendo as diferenças de nossas características raciais e culturais, tratando cada um como um exemplar único. ( Pilates,1998 citado pó Marco D A e Panelli C, 2009). Tudo em nosso corpo está envolvido com o movimento, tanto aspectos físicos como aspectos cognitivos e psicológicos, é uma soma de adaptações que o corpo deve fazer para produzir e suportar aquilo que está sendo gerado dentro do esporte.
O objetivo principal do pilates é desenvolver músculos estruturais e que equilibram a coluna vertebral em sua posição fisiológica normal considerando o desenvolvimento mental e espiritual, trabalhando o corpo como uma unidade integra e capaz de executar os movimentos com maior controle, harmonia e precisão. Quando melhoramos esse equilíbrio muscular minimizamos os riscos de acentuar ou estruturar desvios posturais e melhoramos o padrão postural e de movimento. Tais benefícios são importantíssimos para quem procura maior rendimento nas corridas, pois na soma de muitas variáveis a postura é determinante para gerar maior performance.
Quando corremos muitos tipos de cargas são impostas ao nosso corpo, tanto metabólicas como estruturais. Nossa coluna, por exemplo, sofre cargas geradas pela pisada e pelo impacto ao solo após uma fase aérea e se a musculatura não está preparada para suportar essa sobrecarga pode se gerar graves complicações para coluna como acentuação de desvios e patologias discais. Além disso, outras estruturas articulares sofrem com a carga como tornozelos, joelhos e quadris podendo gerar graves problemas não só para essas estruturas em especial, mas também refletir na coluna vertebral também. Por isso é tão importante o fortalecimento do corpo de uma forma global e principalmente pensando nos músculos centrais que o estabilizam. A corrida por ter uma fase aérea durante a passada faz com que o corpo, constantemente, esteja em desequilíbrio, ou seja, você altera o tempo todo seu centro de gravidade e se a musculatura não está preparada para isso acabam ocorrendo às sobrecargas estruturais citadas acima. Um centro bem fortalecido é essencial para gerar movimentos seguros e efetivos das extremidades.
O treinamento com grandes cargas resulta no aumento de força muscular quanto na melhora da força mecânica das estruturas dos tecidos conjuntivos ao redor de uma articulação... Os grupos musculares mais importantes são os não específicos, eles devem ser treinados intencionalmente por atletas mais jovens... Esses grupos musculares são músculos abdominais e extensores do tronco, que estabilizam a pelve e o tronco; essa estabilização é necessária para todos os movimentos das extremidades (Zatsiorsky, Kraemer; 2008)
O Pilates para corredores vêm então para complementar a prática e garantir a prevenção de lesões reestruturando a postura do atleta e através do trabalho dos músculos estabilizadores de tronco e equilibrar e fortalecer as estruturas articulares das extremidades. Além de garantir maior eficiência do gesto motor gerando uma economia energética e otimização das adaptações fisiológicas durante e após a corrida.
Referências:
• PANELLI, C E MARCO. DE.A. Método Pilates de condicionamento do corpo.São Paulo: Phorte Editora, 2009.
• ZATSRORSKY, KRAEMER. A ciência do treinamento de força, São Paulo: Phorte,2008
• JUNIOR N J, MONTEIROL H e PASTRE M C. Alterações posturais em atletas brasileiros do sexo masculino que participaram de provas de potência muscular em competições internacionais. Rev. Brás Med. Esporte _ Vol. 10, Nº 3 – Mai/Jun, 2004
Prof. Victor M Valente Cref 074605-G/SP
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